segunda-feira, 13 de julho de 2015

Isso é PANC! Plantas alimentícias não convencionais

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Por falar em alimentação saudável e sustentabilidade, cabe bem falar aqui sobre as PANC!.

Plantas alimentícias não convencionais (PANC)

As ‘plantas alimentícias não convencionais’ (PANC) são plantas que nós, ou a maioria de nós, não comemos por falta de costume ou de conhecimento e que podem sim ser consumidas!
Nativas ou exóticas, muitas são denominadas ‘mato’, ‘daninhas’, ‘invasoras’ e até ‘nocivas’ por brotarem espontaneamente entre as plantas cultivadas ou em locais onde não “permitimos” que isso ocorra. Devido a isso, milhares de espécies com alto valor nutritivo são negligenciadas por grande parte da população e do poder público.
As PANC se referem a partes das plantas (frutos, folhas, flores, rizomas, sementes, etc) que podem ser consumidas pelo homem, cruas e/ou após preparo culinário. Além das ‘partes de plantas não convencionais’, também trata das ‘partes não convencionais de plantas comuns’, como por exemplos o uso das folhas de batata-doce e do mangará (coração) da bananeira na alimentação. As PANC tem potencial para complementação alimentar, diversificação dos cardápios e dos nutrientes ingeridos e na diversificação das fontes de renda familiar, como a venda de partes das plantas ou de produtos processados (geleias, pães, farinha, etc) e através do turismo, rural ou gastronômico.
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Nesta foto tem: picão-branco, urtiga mansa, trapueraba, serralhinha e Ora-pro-nobis.

90% do alimento mundial atualmente vem de apenas 20 espécies

“No mundo, estima-se que 30.000 espécies vegetais possuem partes comestíveis. Mesmo assim, 90% do alimento mundial atualmente vem de apenas 20 espécies, as mesmas descobertas por nossos antepassados do Neolítico, em diversas regiões onde a agricultura teve início e que foram incorporadas por quase todas as culturas existentes. Além de tão poucas, hoje a maioria destas espécies cultivadas é restrita a poucas cultivares (variedades) e muito da agrobiodiversidade destas cerca de 20 espécies foram extintas, perdidas ou vem sofrendo grande erosão genética.”
Por ser um país grande e tropical, o Brasil tem uma biodiversidade imensa a ser pesquisada, estima-se em torno de 10.000 espécies nativas com potencial uso alimentício. Ou seja, ainda há muito a se estudar, coletar, cultivar e experimentar.
“Esse patrimônio natural de recursos fitogenéticos é um dos principais ativos brasileiros e, seguramente, pode desempenhar papel estratégico na consolidação do desenvolvimento nacional e na elevação da qualidade de vida da população brasileira.”
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Pontas cortadas de caules jovens do cacto Pitaia (também conhecido por ‘Saborosa’).

Livros e Receitas

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Portanto, cabe a nós a função de também procurar saber, conversar com os feirantes e produtores sobre o assunto, perguntar que hortaliça diferente é essa e testar saladas e receitas novas! Este tema não é novo e vem sendo cada vez mais falado e divulgado por estudiosos da botânica, da permacultura e da gastronomia. Recentemente (2014) foi lançado pela editora Plantarum o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, dos autores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi.
Esse livro contem 351 espécies de PANC (nativas e exóticas, espontâneas e cultivadas) com fotos para identificação, dados botânicos, uso geral e culinário e receitas! Faz pouco tempo que eu sei da existência das PANC e já era simpatizante, mas foi há poucos meses, em fazendas orgânicas em SP e MG, que me encantei por elas, enquanto aprendia “forrageando*” para o almoço.
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Flores de capuchinha (vermelhas e amarelas) agregando valor visual e nutritivo à salada.
Nessa experiência, fiz saladas diversas com capuchinha (flores e folhas), hibisco (flores e folhas), trevo (toda a parte aérea), serralhinha (folhas), Ora-pro-nobis (folhas), melão de São Caetano (frutos verdes e ramos jovens), picão-branco/fazendeira (folhas, ramos e flores), trapueraba (folhas e ramos jovens), urtiga mansa (ramos jovens) e pitaia/saborosa (pontas mais jovens dos caules), e também pratos refogados com as folhas da abóbora (também conhecido por ‘cambuquira’), da batata-doce (folhas) e do picão-preto (folhas e ramos jovens).
E você, o que gosta e costuma cozinhar com PANC?

Mini documentário sobre as PANCs

* Forrageamento: busca e exploração de recursos alimentares.

Referências: Kinupp, Valdely Ferreira. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil : guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas / Valdely Ferreira Kinupp, Harri Lorenzi. São Paulo : Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.
Fonte: http://www.coletivoverde.com.br/isso-e-panc-plantas-alimenticias-nao-convencionais/

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